Pular para o conteúdo principal

Curitiba pode ganhar Política de Inclusão ao Fomento Cultural

 

Curitiba pode ganhar Política de Inclusão ao Fomento Cultural

por Fernanda Foggiato | Revisão: Vanusa Paiva — publicado 12/05/2022 15h40
Curitiba pode ganhar Política de Inclusão ao Fomento Cultural

A ideia é que artista de grupo excluído possa somar pontos na avaliação de projeto inscrito em edital. (Foto: Divulgação/Pixabay)



As comissões da Câmara Municipal de Curitiba (CMC) avaliam projeto de lei para criar a Política de Inclusão e Acesso ao Fomento Cultural. A iniciativa, apresentada pelo vereador Mauro Ignácio (União), pretende ampliar o acesso de artistas e de técnicos artísticos de grupos tradicionais, discriminados, vulneráveis e invisibilizados aos editais de incentivo à cultura disponibilizados pelo Município (005.00074.2022).

“Os certames para escolha das propostas incentivadas com recursos públicos são amplamente excludentes e favorecem constantemente os mesmos proponentes”, alerta o autor. Ignácio diz que a ideia partiu do Sindicato dos Empresários e Produtores de Espetáculos de Diversões do Estado do Paraná (SEPED) [presidido por Gehad Hajar].

O mecanismo proposto é chamado de indutor por inclusão, com acréscimo na pontuação final do projeto cultural, cumulativamente, se o responsável legal se autodeclarar de grupo historicamente excluído. Membros de comunidades e povos tradicionais, negros, pessoas com deficiência e neurodiversos teriam um ponto a mais na avaliação.

Caso o proponente se enquadre como migrante humanitário, morador de ocupação irregular ou área de baixa renda e de grupo identitário vulnerável e/ou invisibilizado (como lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, além de famílias monoparentais predominantemente femininas), o acréscimo seria de meio ponto. O proponente assumiria a responsabilidade civil, penal e administrativa sobre a declaração.

“Ainda que não haja outra iniciativa similar no Brasil quanto ao acesso e à abrangência dos grupos sociais beneficiários, a necessidade de ações afirmativas e mitigatórias é de urgência para manutenção das expressões culturais e de arte utilitária curitibana”, completa Ignácio. Se aprovada pelos vereadores e sancionada pelo prefeito, a lei entra em vigor a partir da publicação no Diário Oficial do Município (DOM).

Tramitação na CMC

Protocolado no dia 8 de abril, o projeto de lei foi instruído pela Procuradoria Jurídica (Projuris) da Câmara Municipal de Curitiba. O próximo passo será a análise pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Se acatada, a proposta então seguirá para os outros colegiados permanentes, indicados pela CCJ de acordo com o tema em pauta. As comissões podem solicitar estudos adicionais, anexação de documentos, revisões no texto e posicionamento de órgãos públicos.

Concluída essa etapa, o projeto estará apto para a votação em plenário, sendo que não há um prazo regimental para a tramitação completa. Caso seja aprovado, será encaminhado para a sanção do prefeito. Se for vetado, caberá à Câmara dar a palavra final – ou seja, se mantém os vetos ou promulga a lei.

Postagens mais visitadas deste blog

Entidades dão apoio à política de inclusão nos contratos culturais de Curitiba

Mauro Ignácio promoveu debate sobre incentivo a povos tradicionais, grupos identitários, negros, PCDs, periféricos e migrantes humanitários em contratos. Audiência pública reuniu sugestões para aperfeiçoar projeto para contratações culturais em Curitiba. (Foto: Carlos Costa/CMC) Associações, sindicatos, pesquisadores e ativistas declararam apoio, nesta quarta-feira (16), ao projeto do vereador Mauro Ignácio (União) que pretende criar incentivos legais para ter mais povos tradicionais, grupos identitários, pessoas negras, periféricas, com deficiência, neurodiversas e migrantes humanitários nas contratações culturais de Curitiba. Pronta para ser votada em plenário, a iniciativa dá pontuação extra em concorrências públicas a projetos apresentados por essas populações ( 005.00074.2022 ). > Confira a cobertura fotográfica no álbum da CMC no Flickr “Recebemos sugestões para o projeto, a tarde foi bastante produtiva”, agradeceu Mauro Ignácio, lembrando que a proposição é um pedido do Sind...

Vida e obra de Gehad Hajar (e-cultura)

A História Oculta de Curitiba

Entrevista concedida para a jornalista Adriana Baldini, da Revista Duque n. 63, Jan/Fev de 2014, ISBN n. 2319-0353, pág. 36 a 39. Há sempre algum forasteiro que aparece com aquela  clássica pergunta aos curitibanos: "qual é o significado  da palavra Curitiba?" Se você respondeu quase  que, automaticamente, "muito pinhão",  está na hora de rever alguns  conceitos. Como toda  velha e tradicional capital, a do Paraná  não poderia  ser diferente: misteriosa, lugares  e  sua  devida  importância destruídos  pelo tempo  e, claro, fatos contados pela metade. Mas eis que, um dia, um curitibano nato resolve questionar as tradicionais versões oficiais. Gehad Ismail Hajar , de apenas 30  anos,  é bacharel em Direito e em Ciência  Política,  especialista em Gestão  Cultural  pela universidade de Girona e, ainda, possui mais  uma  infinidade ...