Pular para o conteúdo principal

Estátua de Tindiquera perpetua erro histórico grave, diz pesquisador

Por Giulia Fontes
A estátua de Tindiquera, cacique que teria apontado aos portugueses o local onde nasceria o povoado de Curitiba, continua causando polêmica. No ano passado, a obra foi retirada da Vilinha do Bairro Alto e deslocada para a Praça Tiradentes, onde, de acordo com o prefeito Rafael Greca, poderia ser “melhor cuidada”. A medida gerou reclamações dos moradores do bairro.
Agora, Greca resolveu devolver a estátua, feita por Elvo Benito Damo, ao seu lar original. No Centro, um novo monumento foi instalado,representando o cacique com uma pinha e um lobo guará.
Na opinião do pesquisador Gehad Hajar, entretanto, a estátua constitui um “erro histórico” que não deveria ser perpetuado pelas autoridades. “Os historiadores que vêm pesquisando as origens e a fundação de Curitiba já mostraram que esse índio nunca existiu. É uma lenda”, afirma.
De acordo com ele, nem mesmo o nome do personagem é fidedigno. No idioma utilizado pelos indígenas à época, a palavra “tindiquera” fazia referência a um tipo de habitação. “É um engano. Fazer mais uma dessas estátuas é gastar dinheiro público em monumentos que não representam nada”, critica.
Verdade histórica ou não, o índio fez sucesso enquanto esteve na Praça Tiradentes. No ano passado, a estátua foi até agasalhada para enfrentar o frio do inverno curitibano.

Postagens mais visitadas deste blog

Entidades dão apoio à política de inclusão nos contratos culturais de Curitiba

Mauro Ignácio promoveu debate sobre incentivo a povos tradicionais, grupos identitários, negros, PCDs, periféricos e migrantes humanitários em contratos. Audiência pública reuniu sugestões para aperfeiçoar projeto para contratações culturais em Curitiba. (Foto: Carlos Costa/CMC) Associações, sindicatos, pesquisadores e ativistas declararam apoio, nesta quarta-feira (16), ao projeto do vereador Mauro Ignácio (União) que pretende criar incentivos legais para ter mais povos tradicionais, grupos identitários, pessoas negras, periféricas, com deficiência, neurodiversas e migrantes humanitários nas contratações culturais de Curitiba. Pronta para ser votada em plenário, a iniciativa dá pontuação extra em concorrências públicas a projetos apresentados por essas populações ( 005.00074.2022 ). > Confira a cobertura fotográfica no álbum da CMC no Flickr “Recebemos sugestões para o projeto, a tarde foi bastante produtiva”, agradeceu Mauro Ignácio, lembrando que a proposição é um pedido do Sind...

Vida e obra de Gehad Hajar (e-cultura)

A História Oculta de Curitiba

Entrevista concedida para a jornalista Adriana Baldini, da Revista Duque n. 63, Jan/Fev de 2014, ISBN n. 2319-0353, pág. 36 a 39. Há sempre algum forasteiro que aparece com aquela  clássica pergunta aos curitibanos: "qual é o significado  da palavra Curitiba?" Se você respondeu quase  que, automaticamente, "muito pinhão",  está na hora de rever alguns  conceitos. Como toda  velha e tradicional capital, a do Paraná  não poderia  ser diferente: misteriosa, lugares  e  sua  devida  importância destruídos  pelo tempo  e, claro, fatos contados pela metade. Mas eis que, um dia, um curitibano nato resolve questionar as tradicionais versões oficiais. Gehad Ismail Hajar , de apenas 30  anos,  é bacharel em Direito e em Ciência  Política,  especialista em Gestão  Cultural  pela universidade de Girona e, ainda, possui mais  uma  infinidade ...